only hope.

Começou como tudo começa: algo aconteceu e alguma acção era necessária. Não estava a tentar fugir, estava só a tentar manter-me fisicamente afastado. Depois, como tudo, as coisas perdem importância e damo-nos conta que afinal lidamos bem com quase tudo, quase sempre. Mas a decisão já estava tomada. E era preciso um novo desafio – algo por onde recomeçar, ou pelo menos um pequeno atalho diferente. E assim a decisão manteve-se, ainda que a razão inicial perdesse sentido a cada dia. E assim foi ficando. E começou a busca pelo irreconhecível desejo de não me reconhecer. Assim começaram os preparativos para não ser eu. Assim começaram os preparativos em direcção ao medo do desconhecido e do receio de perder as rotinas que sempre me conheci. E ainda que algumas questões tenham surgido pelo caminho, nunca houve uma única hesitação: eu quero mesmo fazer isto.

E é assim que me preparo para alguns meses longe de casa, longe da primeira pessoa a quem chamei amigo com significado, ainda mais longe da minha irmã e longe de todos os meus hábitos e espaços conhecidos. É assim que me preparo para um verdadeiro passo: com uma sensação agradável. Estou curioso. Estou eufórico. Mas também estou triste, hei-de sempre estar.

1 commentários:

jagged_little_pill disse...

sim, vais estar longe. e muitas vezes as comunicações possiveis vão parecer insuficientes.
mas vais aprender coisas novas - sobre ti, sobre os outros...e vais-te safar na boa:)
...e depois contas tudo, aqui 'aos que ficam em terra'.

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